Reportagem IPESI

Revista: IPESI Data: 03/91
AS FORMAS DE UM MODELO NACIONAL

Até abril, um novo carro nacional deverá estar rodando nas estradas brasileiras.


Batizado provisoriamente de Tuffi 4.1, ele terá como um dos grandes atrativos os recursos eletrônicos que permitirão desde a simples abertura e fechamento de vidros e portas até o autocheque total do veículo. São 19 funções não vitais (veja quadro) que serão controladas por um computador de bordo, cuja CPU tem 50 Megabytes de memória.
O investimento total para o desenvolvimento do automóvel foi de U$$ 2,3 milhões, e somente a eletrônica embarcada consumiu cerca de 18 meses de trabalho e recursos da ordem de U$$ 900 mil. “Essa foi a parte mais cara do projeto, porque tudo foi desenvolvido exclusivamente para o carro”, informa Aluizio Militão da Silva, diretor industrial da Tuffi, empresa que fabricará e comercializará o veículo.

A parte eletrônica do Tuffi 4.1 foi totalmente desenvolvido pela JBN Electronics. João Barassal Neto, diretor presidente da empresa, garante: “Trata-se de um sistema computadorizado para veículos, onde uma CPU dedicada realiza todo controle e monitoração do automóvel”.

A opção da JBN em utilizar a arquitetura centralizada (um processador é responsável por todo controle do carro) deve-se ao fato de ser mais fácil controlar um microclima dentro do carro do que vários microclimas. “A tendência anterior era o processamento distribuído. A atual é centralizar tudo numa única CPU, porque torna-se mais simples criar um ambiente específico para toda parte eletrônica”, explica Flávio Pinto Freire, chefe da divisão de desenvolvimento da JBN.

“Numa arquitetura centralizada - esclarece Freire -, basta fazer uma placa e uma CPU altamente imune para aumentar a confiabilidade do sistema. Esse processo permite a dedicação a uma única peça. No caso da arquitetura distribuída, além de se ter que trabalhar com uma quantidade enorme de fios, se tem problemas distribuídos, porque é impossível controlar vários ambientes dentro de um veículo”.

Os críticos da arquitetura centralizada para os automóveis alertam para o fato de que os sistemas eletrônicos, ao contrário dos mecânicos que tem um desgaste gradativo, tendem a quebrar sem nenhum aviso prévio, aumentando os riscos de falhas paralisantes, sem contar a maior vulnerabilidade às interferências eletromagnéticas.

Essas questões, segundo Freire, foram consideradas pela JBN. O sistema foi desenvolvido com um esquema de supervisão. “Existe um circuito totalmente dedicado a essa função. Além disso, todos os circuitos possuem segurança intrínseca, de tal forma que ele só vai atuar se houver a certeza de que tudo está funcionando perfeitamente. No caso do rompimento de um fio, por exemplo, não haverá nenhuma atuação errônea do tipo desligar o motor ou não abrir as portas”, garante.

Outro aspecto que aumenta a confiabilidade do sistema da JBN é que ele prevê, inclusive, a possibilidade de falhas - no caso de um mau funcionamento esporádico existem circuitos para recuperação. “Diante de um pane por interferência eletromagnética muito forte, o sistema sai do ar e volta numa questão de microssegundos. Agora, se houver um problema mais grave - a placa pegar fogo, por exemplo - o usuário pode comutar o carro para o modo manual em poucos minutos e o veículo funciona como outro qualquer”, afirma Freire.

A possibilidade de haver falhas paralisantes é bem menor no Tuffi 4.1 do que nos convencionais, porque o sistema eletrônico, que supervisiona a parte mecânica, fornece ao usuário informações precisas e de melhor qualidade. “Na realidade há um software supervisionando tudo. Qualquer falha no veículo, ele passa para o modo manual, avisando ao usuário, inclusive por voz. Se a temperatura aumentar, por exemplo, o sistema avisará , repetindo a mesma informação três vezes. A partir daí, se o usuário decidir rodar, sem solucionar o problema, o sistema lembrará que ele é responsável pelos próprios atos”, comenta Barassal Neto.

Se em função desse super aquecimento o motor do carro vier a fundir, ao ser feito o autocheque, o computador acusará que o usuário foi informado sobre o problema e que decidiu continuar rodando. “Na verdade, existe uma caixa preta que supervisiona, dá estatísticas do veículo e como ele foi conduzido. Qualquer irregularidade será comunicada”, afirma Barassal Neto.

CARACTERÍSTICAS DO TUFFI 4.1

Acionamento do motor via controle remoto ou em programação;
Agenda eletrônica;
Alarme computadorizado;
Autocheque geral do veículo;
Controle da abertura e fechamento de vidros e portas;
Controle das lanternas e do farol alto;
Controle dos bancos e espelhos com memória;
Controle remoto total;
Distância crítica de frenagem;
Estatísticas de consumo de combustível, óleo, pneus, filtros, etc;
Estatísticas de desempenho e forma de utilização o veículo;
Indicação de marcha apropriada;
Indicação de perigo via áudio e vídeo;
Informações atravéz de voz sintetizada e digitalizada;
Lincagem do sistema com PC;
Mapas com informações de bairros e estradas;
Supervisão total do motor;
Teste de lâmpadas e acessórios queimados.

POSSIBILIDADES FUTURAS:

Acionamento do veículo via telefone celular;
Autocheque do veículo via telefone celular;
Conecção com telefone celular para transmissão / recepção de fax;
Controle do veículo via telefone celular;
Controle i integração com freios ABS e injeção eletrônica;
Integração com GPS (navegação auxiliada por satélite).