Reportagem Peq. Emp. Grandes Negócios

Revista: Pequenas Empresas Grandes Negócios. Data: 08/91

QUANTO VALE UM INVENTO

No Brasil não há histórico de grandes inventos, nem mesmo o 14-Bis de Santos Dumont é reconhecido mundialmente. Existem, contudo, exemplos concretos de excelentes idéias que deram certo e renderam muito dinheiro a seus autores.


Existe, contudo, um número considerável de pessoas, especialmente engenheiros e pesquisadores, que conseguem combinar três fatores básicos nesta área: capacidade de inventar algo útil e criativo, muita persistência para obter a homologação da patente e sensibilidade para perceber o valor comercial do invento. Essa combinação, levada às últimas conseqüências, tem o dom de originar empresas bem sucedidas, além de inovações tecnológicas. Um bom exemplo é João Barassal Neto, proprietário da JBN Electronics, empresa paulista dedicada a assessoria e desenvolvimento de projetos eletrônicos de alta tecnologia. Uma paixão que começou cedo, para desconforto da família de Barassal: reluzentes carrinhos a pilha eram desmontados ainda novos, para que as peças se juntassem de outra maneira e com diferentes funções.

O caminho natural para o jovem João era a engenharia, curso que teve de abandonar no quarto ano por falta de recursos. Hoje, aos 33 anos, Barassal pode se considerar um empresário de sucesso, bem distante da imagem excêntrica que ainda se faz de inventores. Ele não revela o faturamento da JBN, que tem 22 funcionários, mas também não se queixa.

Entre os projetos que deram certo, a estrela é um painel computadorizado que desenvolveu para o Tuffi 4.1. Depois de analisar a proposta, o inventor-empresário contra-atacou e ofereceu o sistema mais completo que pôde imaginar, com nada menos do que 19 funções e controle remoto total. Esse tipo de sistema, denominado eletrônica embarcada, inclui desafios como o de fazer um delicado e sensível computador funcionar com perfeição em condições adversas.

O painel do Tuffi 4.1 é apenas um item de uma longa série de produtos desenvolvidos pela JBN. Outro é o Black Box, sistema eletrônico de numeração de chassis de veículos que inviabiliza adulterações e que está há dois anos em processo de patenteamento. Barassal diz que, para o inventor, esse é o gargalo mais difícil. A homologação da patente não só demora, ele afirma, como implica investimento superior a Cr$ 200 mil por produto. E a JBN tem vários à espera da patente.